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Mensagens

Vivo numa cidade que não é minha

  Há uns tempos escrevi um texto que começava com: "Vivo numa cidade que não é minha. À procura de um futuro que chamo de meu. E do qual não faço a mínima em que conste. Todos os dias a mesma rotina, as mesmas caras que me sorriem falsamente e os mesmos objetivos. Sempre ouvi que a vida é dos fortes, que dos fracos não reza a história. E sempre fui educada para fazer parte dos que venceram." E o texto continua. Talvez um dia o mostre para quem me lê. Ou talvez não. A verdade é que é a partir do que deixamos escrito e marcado, que vemos a nossa evolução. O nosso crescimento. Enquanto pessoas e nas nossas vidas. A verdade é também que, muito provavelmente, metade de nós não sabe o que anda a fazer. Se calhar, um dia sabemos o que queremos ser e atingir, e no outro já nem sabemos quem somos. Sabemos que temos que estudar para ser alguém, sabemos que trabalhamos porque precisamos de dinheiro para viver e sabemos que estamos com alguém porque até agora não houve melhor hipóte...

Nós

Dizem que o amor é cego. Mentira. O amor vê tudo, vê todas as imperfeições, todos os defeitos e todos os podres. Mas o amor decide aceitá-los. O amor coloca-se a pés juntos com a esperança. Até ao dia em que a esperança acabe. Até ao dia em que os erros sejam demasiados para fechar os olhos ou para perdoar. O amor não é a obsessão, o amor é acreditar que pode resultar até ao dia em que nos coloquemos diante do espelho e cheguemos à conclusão de que não dá mais. Porque o amor também tem disso. O amor por outra pessoa tem limites. E esses limites são alcançados quando o amor por nós mesmos é derrubado. O nosso amor próprio é o que tem de estar acima de tudo. Só assim saberemos quando somos amados na mesma medida, porque merecemos ser amados por igual. Não adianta de nada amar mais alguém do que essa pessoa nos ama. Só nos sufoca. Só nos destrói. Amamos tanto alguém sem ser amados da mesma maneira, que quando batemos no chão nem acreditamos que lá estamos. Quase que nem sabemos como lá ch...

A ti.

Dou por mim a não saber o que quero. Umas vezes a mais segura em mim própria, outras vezes a mais perdida. Houve uma altura que já não sei bem quando em que parecíamos corretos. Depois, do nada, já pensávamos que nunca iria dar certo. E por muito que de certa forma até tenha dado, acabou por não dar. Acabou por levar um bocado grande de ti para bem longe de ti, e mais uma das pequenas porções que de mim sobrava. Seguiste outro caminho, um que por sua vez te pareceu mais iluminado mas que a meu ver, era simplesmente mais fácil. Nunca fui a pessoa mais acessível do mundo, sempre fui complicada em muitos aspetos. Enfim. A nossa história eu nunca a teria apagado de lado nenhum. Nunca teria deixado que lhe rasgassem páginas e durante muito tempo dei por mim à tua procura ou do mais pequeno excerto de ti. Ou assim eu achava que era. Numa rua qualquer  independentemente de lá termos alguma vez dado as mãos ou não, sem me aperceber percorria todas as caras que passavam por mim com os meus ...

Mas quando é que isto acaba?

Ouvi-te chegar e fiquei parada à tua espera. A saudade que tinha de ti era equivalente a 10 anos ou mais sem te ver. E eu todos os dias esperava, com a fidelidade igual à de um animal, por ver-te chegar. Todos os dias tinha uma surpresa para ti. Uns dias bolos, outros sobremesas, outros o almoço, o lanche ou o jantar, dependendo da hora a que te apetecesse chegar. E o mundo parava de rodar cada vez que esperava mais do que era de esperar por ti. Uma hora, duas, três… cheguei a ver-te chegar de madrugada, perdido, pelo meio dos raios matinais que se queriam fazer ver. E de todas as vezes, todos os dias, todos os meses e anos nunca me faltou um sorriso para te dar. Um sorriso aqui, um murro ali. Sempre quis pensar que com o tempo as coisas mudariam. Que melhorariam. Chegaste a casa com o jantar posto na mesa, as velas do costume acesas e o meu melhor sorriso. Em pé, encostada ao balcão frente à porta, a contar os segundos até ouvir-te chegar. Quando finalmente te vi, soube que de ...

É legítimo?

No meio dum dia sofrido no meio de lições esquecidas, disseram-me que a nossa vida só nós controlamos e que, se há algo por que estamos a sofrer, que temos que ter em conta se realmente vale a pena sofrer por isso ou se é apenas o nosso coração a iludir-nos. Mas que no meio de tudo, que não nos deixemos humilhar demais nem moldar demais, senão um dia olhamos para trás e perguntamo-nos como chegámos a esse ponto e nem nos reconhecemos mais. Que no entanto, só nós sabemos o que vale a pena e até quando vale a pena. E no meio de um quarto escuro ainda consigo lembrar-me de choros, gritos e cheiros antigos. Ainda consigo sentir as cicatrizes antigas. E de cada vez que sofro, sofro por todas elas. E que de cada vez que me é feito sofrer, sofro em memória a quem deixei nas páginas de livros já lidos. O meu avô dizia que quando eu arranjasse um namorado a sério, que tinha que ser um homenzinho. Que tinha que ser alguém que me cuidasse e amasse. E ele abanava a cabeça como quem sabe que hoje...

Quis contar-te

Quis pegar em mim e mandar-te uma mensagem ou ligar-te. Hesitar mas acabar por dizer-te que estava bem. Que estava de uma vez por todas a seguir os meus sonhos, a fazer o que era melhor para mim. Quis contar-te para onde estava a ir, que estava a fazer uma viagem de autocarro de horas e horas e que apenas levei uma mala. Quis contar-te como é que consegui o dinheiro para deixar a nossa cidade, que trabalhei por horas e horas, dias e dias, sem folgas e com cansaço acumulado. Quis contar-te que estive sozinha este tempo todo, que a vida sem ti resume-se a pouco. Quis contar-te que apesar disso nunca desisti e que o que saiu de mim foi sempre o meu melhor. Quis contar-te sobre tudo o que tinhas perdido. Que as árvores que vejo fora da janela não parecem tão bonitas. Que o barulho de outras pessoas à minha volta me incomoda mais que nunca. Que o sol e a lua parece que perderam o brilho. Quis contar-te que te odiei mas que guardei o que restou de ti. Que sinto falta do teu sorri...

Mudam-se os tempos.

Pergunto-me vezes sem conta sobre até onde devemos deixar as coisas ir. Se podemos traçar a nós próprios caminhos diferentes e possibilidades diferentes a seguir. Se nos é legítimo de vez em quando sermos um bocado egoístas. Batermos o pé e dizermos não. O meu ex-namorado costumava dizer que sou demasiado boa com as pessoas. Que não sei dizer que não e que por ser tão boa quem se aleija sempre sou eu. Tinha razão. E por ser tão boa com ele acabei trocada. É nisso que me questiono bastantes vezes. Mas de toda a vez que tento ser um pouco má acabo sempre ouvindo a mesma história. “Não ganhas nada em ser assim”. Não sei o que ganho então. Percebo agora os erros que cometi no passado e o porquê de todos os relacionamentos passados terem saído fracassados em todos os piores sentidos. Não que eu fosse má como as cobras, não que fizesse o mal. Muito pelo contrário. E esse é o meu mal. Onde será que devemos pôr um ponto final? Quando será que devemos dar um grito e bater o pé? Sendo que sou...