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Mensagens

Amor-Ódio

Há uns minutos que comecei a sentir que estava a sair do escuro, calmamente e silenciosamente. Pouco a pouco, do escuro passei para o menos escuro e comecei a ganhar de novo todos os sentidos que até agora é como se tivessem estado desligados. Olhos fechados, respiração calma e acertada, batimentos lentos, senti o ar a entrar-me pelas narinas e a chegar aos pulmões, senti o corpo mole, senti o calor próximo de mim. Ainda de olhos fechados inspirei o máximo que pude, aguentei o ar durante três segundos e expeli-o. Senti uma respiração quente perto de mim mas não me mexi. Neste momento já estava tudo claro, tão claro que consegui sentir uma certa angelicalidade. Abri lentamente os olhos. Comecei a apreciar o silêncio, a calma, o bem-estar e percebi que há muito tempo que não me sentia assim. Senti os olhos começarem a fechar-se novamente quando de repente senti o calor de uma mão a percorrer-me o braço. A mão parou no ombro. Do ombro foi até ao pescoço, à orelha e acariciou-me o cab...

Rosa-dos-ventos

“E se não resultar?”, “E se ele não gostar de mim da mesma forma que eu gosto dele?”, “E se ele me enganar?”, “E se houver outra mais interessante?”,  “E se o tempo fizer as coisas mudarem?”, “E se for eu que afinal mudo de ideias?”, “E se depois eu é que ficar com má imagem?”… E se…? Passamos tanto tempo preocupados com o que pode acontecer, imaginando variados cenários, criando se calhar problemas onde eles não existem que nos esquecemos de viver o agora. Muitas vezes esquecemos até que grande parte dos problemas que irão surgir se deve aos problemas que colocamos agora… Se deixássemos tudo fluir, se deixássemos tudo seguir o seu curso natural… seria mais fácil. Mas não dá, não é verdade? Colocamos todas as hipóteses e criamos todos os cenários porque sabemos que o caminho não é em linha recta. Mas verdadeiramente começo a achar que nós é que o distorcemos. O ser humano tem grandes problemas em aceitar algo que não lhe dá trabalho ou que é diferente, gosta de complicar, ...

Mais cedo ou mais tarde.

Hoje larguei o eyeliner, o rímel, a base e o blush. Larguei os saltos, o vestido e a mala. Larguei o telemóvel e saí. Antes de sair, destranquei a porta das traseiras. Nem a chave queria. Não queria nada, só sair. Sair dali, sair de todo o lado. Queria estar sozinha, queria pensar, queria voltar a encontrar-me. Tenho-me vindo a perder com o tempo. Então saí. Às vezes é mais fácil largar tudo e sair. Durante uma, duas, três horas, o necessário, do que ficar a bater com a cabeça em todas as paredes e a respirar o mesmo ar poluído de mágoas. Não muda uma vida, mas pode mudar um dia. Mudei o hoje e amanhã poderei mudar o amanhã, depois de amanhã mudarei o depois de amanhã e assim sucessivamente. Passo a passo. Passo a passo tendo a mudar os meus dias. Mas confesso, confesso que não reconheço a pessoa que sou, ou pelo menos ainda não me habituei a ela. Apesar de hoje ser aquilo que sou, baseado nas minhas experiências até então, sempre tive uma imagem daquilo que não queria ser...